sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Sol no buraco negro

Acho que todo mundo já sentiu como se o dia fosse um buraco negro... Não um buraco negro qualquer... Mas aquele que dói lá no fundo do peito... Não uma dor qualquer... Mas uma dor que te leva à impotência dos atos e das palavras... Hoje acordei assim... Um nó na garganta... Meu dia parece mais cinzento... Mais dolorido... Queria poder estender as mãos e te tocar... Aliviar um pouco essa dor que sente... E mesmo de longe espero que minhas palavras te alcancem bem... Não que elas tenham o dom de amenizar essa dor... Mais se ao menos eu puder levar um pouco de sol e um sorriso amigo até você... Que assim o seja... Que as palavras escritas aqui alcance meu objetivo...


O Sol

Queria ter mais que mil palavras... Gritar aos sete ventos... traduzir em palavras sentimentos... que por hora não consigo expressar...
Mas sei que a linha dos sonhos vai de encontro à tão dura realidade...
Olho ali bem ao meu lado... Borboletas de frágeis asas tentando fugir da fuligem, seres encantados fugindo da devastação...
Parem o tempo... Eu odeio essa corrida contra o relógio...
Permita-me ver as ondas quebrando nas pedras... Permita que te estenda minhas mãos...
Dei-me uma velha pá enferrujada... Com ela cavarei um buraco pra enterrar esse seu sonho ruim num cemitério longínquo... Cavarei bem fundo, sem mapas nem bússolas para que você não mais encontre essa dor.
Assim, brincando de ser feliz, fujo em horas intercaladas, seguindo um mapa rumo ao infinito... Enquanto a velha pá trabalha firmemente em seu propósito... Meus olhos são o espelho da minha fraqueza e choram lágrimas dolorosas... E por mais manchada que esteja minha face é impossível, pra mim, deixar de ver a vida com olhos de menina... E eis que em meio à terra seca algo reluz... Uma luz dourada em meio ao pó... E assim me dou conta de que sempre existirão novos sonhos, novas esperanças... seja aqui ou em terras frias. Pego o primeiro retorno à velha estrada e sigo rumo ao que o destino me reservou. E a você reservo meus pensamentos mais sinceros... E juntos vamos lembrar dos bons momentos guardar as lembranças dos que foram e assim saberemos que não nos é permitido esquecer quem não poderá jamais ser esquecido.
Viveremos sempre entre a cruz e a espada, em horas intercaladas, rodando em horário nobre, ensopados em descargas caóticas dessa vida desregrada.
Viveremos entre as guerras da nossa época, em tempo real, preservando os bons tempos, deixando o passado lá atrás... Imagens ofuscantes passando... E não tenha medo elas apenas passam por você... como as asas da borboleta roçam seu rosto e deixam uma leve marca... Para nos lembrar que podemos ir do fracasso ao sucesso, do nada aos sonhos. Podemos cair das alturas, e até pedir ajuda. Lutaremos mais uma guerra, mais essa batalha... E mesmo que tudo escorra por nossas mãos como água...
A vida estará lá... Como o sol que nasce em um buraco negro no fim do universo.

Krika Muniz - (9 de novembro de 2007)


Update:

Este update foi feito de propósito e só foi postado agora depois que você leu e comentou...

Xandi,

Esse texto foi feito para você e pensando em você... quando escrevi parecia que estava falando palavra por palavra olhando diretamente em seus olhos... Permita sempre que a borboleta saia do seu casulo para nos tocar pois suas asas tem o dom de espalhar palavras de felicidade onde quer que vá... Obrigado... muito obrigado mesmo pela sua amizade e carinho... esse "Sol" é para você....

Um grande beijo meu querido amigo !!!